Commodities são produtos agrícolas padronizados negociados globalmente (soja, milho, boi, café, algodão, açúcar). O preço de referência se forma nas bolsas internacionais (CBOT, ICE, CME) e chega ao produtor descontado do "basis" — frete, câmbio, qualidade e oferta local. Por isso Mato Grosso costuma receber menos por saca de soja que o Paraná.
O que são commodities
Commodities são mercadorias em estado bruto, com qualidade padronizada, negociadas em grande escala e com preço formado no mercado global. No agronegócio brasileiro, as protagonistas são soja, milho, boi gordo, café, algodão e açúcar — produtos em que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores do mundo.
Por serem padronizadas, essas mercadorias podem ser negociadas em bolsa, com contratos futuros que permitem "travar" um preço hoje para entrega ou liquidação amanhã. É esse mercado que dá o preço de referência que você vê no painel acima.
Como o preço se forma
O preço de uma commodity nasce da oferta e demanda globais e é "descoberto" nas grandes bolsas:
- CBOT (Chicago): soja e milho, cotados em centavos de dólar por bushel.
- ICE (Nova York): café, algodão e açúcar, em centavos de dólar por libra-peso.
- CME: boi gordo (referência internacional).
- B3 (Brasil): contratos futuros de boi, milho, soja, café e dólar, usados para hedge no mercado doméstico.
Como quase tudo é exportado, o câmbio tem peso enorme: um dólar mais alto tende a elevar o preço em reais recebido pelo produtor, mesmo que a cotação internacional não mude.
Basis: por que o preço muda de estado
O produtor não recebe o preço "de Chicago". Ele recebe esse preço ajustado pelo basis — a diferença entre a referência internacional e o preço pago no local de produção. O basis é formado por:
- Frete até o porto de exportação (o fator mais pesado no Brasil).
- Câmbio do dia da precificação.
- Qualidade do produto e prêmios/descontos por padrão.
- Oferta e demanda regionais, armazenagem e logística.
As principais commodities do Brasil
| Commodity | Unidade típica | Referência |
|---|---|---|
| Soja | Saca de 60 kg | CBOT + basis / CEPEA |
| Milho | Saca de 60 kg | CBOT + basis / B3 |
| Boi gordo | Arroba (@) | B3 / CEPEA |
| Café arábica | Saca de 60 kg | ICE / CEPEA |
| Algodão | Libra-peso (pluma) | ICE |
| Açúcar | Libra-peso | ICE |
Preço e contratos rurais
O preço da commodity é o coração de vários instrumentos que o produtor usa para financiar e vender a safra:
- Venda a termo (forward): fixa hoje o preço de entrega futura.
- CPR (Cédula de Produto Rural): título em que o produtor se compromete a entregar produto (CPR física) ou pagar valor equivalente (CPR financeira).
- Barter: troca de insumos (adubo, semente, defensivo) por produto na colheita, com o preço da commodity como referência.
- Hedge: uso de contratos futuros e opções para proteger a margem contra a queda de preço.
O lado jurídico
Onde há contrato de preço futuro, há risco jurídico. Oscilações bruscas de cotação e câmbio geram disputas frequentes:
- Quebra de contrato de venda a termo quando o preço sobe e o produtor é tentado a não entregar (ou o comprador a não pagar).
- Execução de CPR e discussão de garantias (penhor, alienação, aval).
- Revisão de cláusulas de preço, reajuste, multa e foro em contratos de barter.
- Recuperação judicial do produtor rural, tema que envolve diretamente o valor da safra e das commodities dadas em garantia.
